Estratégias regionais de marketing para a América Latina frequentemente são construídas sobre uma premissa perigosa: o “consumidor médio latino-americano”. Essa figura é presumida como tendo um apetite uniforme por aplicativos digitais e uma expectativa padrão por descontos. Executivos seniores que analisam um dashboard regional podem observar crescimento constante e concluir que sua estratégia está funcionando.

Mas tratar esses dois gigantes como uma única entidade é deixar grandes oportunidades de receita na mesa em ambos os mercados. Enquanto seu dashboard regional pode mostrar a América Latina em crescimento, é possível que sua estratégia genérica esteja entediando o consumidor brasileiro e insultando o mexicano.

Maturidade do Mercado de Loyalty: Brasil vs. México

Os dados revelam uma divergência na forma como esses dois mercados interagem com os ecossistemas de fidelidade. De acordo com nossa recente pesquisa, o Brasil está atualmente vivendo um período de “exuberância de loyalty”. O consumidor brasileiro médio participa de 14 programas diferentes — a maior taxa de participação observada entre 15 países.

Com a expansão do sistema de pagamentos Pix e das carteiras digitais integradas, loyalty no Brasil tornou-se uma disputa por visibilidade. Se sua marca não estiver integrada ao estilo de vida digital diário do consumidor, simplesmente não existe.

O México, por outro lado, está em uma fase de “refinamento de valor”, como demonstrado pela pesquisa da Wise Marketer patrocinada pela Comarch. Embora a participação seja alta, os consumidores mexicanos são mais seletivos, com uma média de aproximadamente 9,5 programas por pessoa. Mas aqui está o ponto crítico: 83% dos consumidores mexicanos estão abertos a modelos Pay-to-Play — a disposição de pagar uma taxa inicial para acessar benefícios garantidos.

Esse é o sinal de uma mentalidade madura e pragmática. Os consumidores mexicanos entendem tão bem o valor da troca que estão dispostos a pular completamente a etapa de “acumular” para ir direto ao “resgatar”.

No Brasil, a disputa é por visibilidade. No México, é por viabilidade.

Gravidade Econômica

Os impactos financeiros dessa divergência regional são enormes. O mercado de loyalty no Brasil já é uma potência de engajamento digital, com programas de fidelidade gerando R$ 5,8 milhões em receita apenas no segundo trimestre de 2025.

O mercado de loyalty no México também está traçando uma trajetória impressionante. Após um CAGR de 18,5% entre 2021 e 2025, projeta-se que o mercado mexicano alcance US$ 1,67 bilhão até 2026.

Já não estamos falando de regiões “emergentes”, mas de gigantes estabelecidos que exigem estratégias distintas e orientadas por dados.

Psicologia da Fidelidade na América Latina

Vamos analisar mais de perto as diferenças de comportamento econômico.

No México, loyalty funciona como um instrumento financeiro. Aproximadamente 59% dos participantes ativos são motivados pelo valor monetário puro. Eles enxergam pontos pela lente da aversão à perda: não têm interesse em pontos “soltos” que expiram ou oferecem recompensas abstratas. Querem valor próximo ao dinheiro, que impacte diretamente o bolso no caixa do supermercado ou na farmácia.

No Brasil, o foco está na reciprocidade de ecossistema. Os brasileiros são altamente engajados com integração digital, favorecendo carteiras móveis (49%) e interações via redes sociais muito acima da média global. Para eles, o ponto funciona como um passaporte digital, transitando entre viagens, varejo e serviços financeiros de forma fluida.

No México, loyalty é um investimento. No Brasil, é uma experiência.

A Estratégia: Arbitragem por Sequenciamento

A filosofia da Comarch para a região é surpreendentemente simples: Não construa dois programas separados. Construa um único motor de loyalty modular.

A diferença de maturidade entre esses mercados cria uma vantagem estratégica única para marcas que sabem como sequenciar seus lançamentos.

Use o México como campo de testes sofisticado. Como os consumidores mexicanos são altamente pragmáticos e sensíveis ao valor, se uma proposta de loyalty premium com assinatura paga sobreviver ao escrutínio desse público, ela terá força suficiente para dominar outros mercados.

Depois de refinar sua proposta de valor no México, use o Brasil como motor de escala. Pegue a lógica que funcionou no México e combine-a com a exuberância digital de alta velocidade do Brasil, utilizando gamificação e compartilhamento social para manter o engajamento em um mercado onde os consumidores participam de 14+ programas.

A tecnologia deve ser constante. A proposta de valor deve ser variável.

Conectando a Lacuna até 2026

Apenas analisamos a superfície dos dados regionais. Ainda não discutimos a “zona de risco” de 30/60/90 dias no mercado mexicano, onde quase metade dos novos membros é perdida se a primeira recompensa não chega rápido o suficiente. Também não analisamos por que a Silent Generation no México está demonstrando uma surpreendente receptividade a utilidades tecnológicas.

Sua estratégia regional não deve se basear em uma média latino-americana que simplesmente não existe.

É hora de conectar os dados regionais às receitas locais.

Baixe o Relatório Completo de Customer Loyalty no México para acessar todos os dados e garantir que sua estratégia seja construída para gigantes — não para mitos.